sábado, 21 de maio de 2011

Campeão limpo


Gilberto, o artilheiro coral

CAMPEÃO LIMPO


Carlyle Paes Barreto

Desde o início do ano, Sport e Náutico vinham travando um duelo à parte no Campeonato Pernambucano, com brigas por contratações e provocações mútuas, chegando até às páginas policiais. Esqueceram do Santa Cruz, que mal tinha jogadores à disposição no final da temporada passada e nenhum dinheiro em caixa. Por isso, o título coral, depois de seis anos de hiato, é mais que merecido. É limpo.
Só para ilustrar, o prata da casa Everton Sena, cujos salários não chegam a R$ 5 mil, anulou com competência Marcelinho Paraíba, que ganha mais de R$ 100 mil.
Mas para ser campeão não basta ter um time caro. Fundamental é ter vontade, garra, espírito de decisão. E isso o Santa teve de sobra. E quando se alia isso a uma consciência tática impressionante, o resultado é o título.
Taça levantada pelo capitão Thiago Matias. Mas poderia ter sido pelo goleiro Tiago Cardoso, absoluto. Ou pelo surpreendente Memop, ressuscitado para o futebol. Ou mesmo Renatinho, que começou o ano treinando para compor elenco e termina o Estadual lembrado para a seleção (sub-20). Mas quem pode esquecer da firmeza de Jeovânio, ou da regularidade de Weslley? Lá na frente, Gilberto. Goleador. Imprescindível.
Mas com tantos capitães, com tantos destaques, guerreiros, seria injusto tratar tal conquista em apenas um atleta. Por isso a honra pode ser dada ao maestro de tudo isso: Zé Teodoro. Fez seu trabalho com louvor, montando do zero um grupo equilibrado e competitivo, anulando armas dos adversários. Mas fez mais. Foi dirigente, participando efetivamente da montagem da equipe. Foi atleta, jogando com o time. Foi psicológo. Foi perfeito.


Publicado no Jornal do Commercio, Recife, segunda-feira, 16.05.2011

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