sábado, 21 de maio de 2011

Luxo é ser tricolor



LUXO É SER TRICOLOR
Depois de cinco anos, torcedores do Santa Cruz voltaram a gritar: “É campeão!”


Paulo Fazio

O grito estava preso na garganta. Já eram cinco anos sem celebrar uma conquista, tempo em que o Santa Cruz havia se esquecido de como era grande, de como é doce o sabor de levantar um troféu. Mas ontem foi um dia de libertação, em que a torcida tricolor pôde voltar a bater no peito com força e gritar em alto e bom tom: “É campeão!”. No Estádio do Arruda, todo pintado em preto branco e vermelho, à moda dos donos da casa, nem mesmo a derrota por 1x0 para o Sport, com um gol de pênalti de Marcelinho Paraíba no último minuto da partida, conseguiu estragar a festa coral.
A vantagem construída na última partida, quando venceu por 2x0, foi o suficiente para o Mais Querido celebrar a sua 25ª conquista estadual. Bravo, aguerrido e guerreiro, como prega sempre o técnico Zé Teodoro, o Santa Cruz fez o que era necessário: marcou e jogou, o suficiente para segurar o Sport na maior parte dos 90 minutos. Os rubro-negros, inclusive, estiveram tecnicamente muito abaixo do esperado para uma equipe que precisava reverter uma desvantagem atuando no campo do adversário. A vitória acabou sendo amarga com o fim do tão sonhado hexacampeonato.
Dentro de campo, o que se viu não foi uma partida bonita, digna de uma final. Houve sim muita entrega, disposição e vontade de vencer. Mas futebol, mesmo, o Clássico das Multidões acabou devendo na primeira etapa. O Leão até chegou a assustar aos nove minutos, quando Bruno Mineiro cabeceou para fora um cruzamento de Renato, pelo lado direito. O Tricolor respondeu com Landu, aos 14, desperdiçando uma ótima oportunidade de frente para o goleiro Magrão.
Parecia que as emoções estavam reservadas mesmo para o segundo tempo, quando Gilberto cabeceou uma bola perigosa com apenas seis minutos de bola rolando. Precisando da vitória, o Sport atacava como conseguia, mas de tão desorganizado, acabou sendo dominado pelo Santa Cruz. As chances corais foram muitas. Gilberto, aos 25, pegou fraco na bola em um lance certo de gol. Dois minutos depois, foi a vez de Magrão intervir em um ótimo chute de Thiago Cunha.
Antes do apito final, o Sport ainda fez 1x0, em cobrança de pênalti de Marcelinho Paraíba, mas já era tarde. O camisa 10 rubro-negro ainda protagonizou um vexame, ao partir para cima de Éverton Sena após o apito final, que desencadeou um princípio de confusão no Arruda.


Publicado nor jornal Folha de Pernambuco, Recife, segunda-feira, 16/5/2011

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