domingo, 22 de maio de 2011

Procurem um clube pra chamar de seu


Ilustração de Ewerton Heráclio
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PROCUREM UM CLUBE PRA CHAMAR DE SEU

Samarone Lima-

Como sempre acontece em nosso país, as elites adoram se aproveitar da massa. O título do Santa Cruz é um exemplo disso. Vejamos.
O Sport, que chamamos carinhosamente de “Coisa”, é presidido por um dos maiores empresários imobiliários do estado. Chegou a pagar R$ 5 mil por um boi, para ser sacrificado, em agradecimento a um título conquistado em 2008. A folha salarial da coisa é três vezes maior que a do Santa. Com o dinheiro do Clube dos 13, abriu uma diferença de orçamento no estado que lhe permitiu chegar ao pentacampeonato. Quem nos dera, começar o ano com cinto, sete milhões!
O Náutico, que chamamos carinhosamente de “Barbie”, sempre se declarou de elite. “Hexa é luxo” é seu bordão.
Durante o campeonato inteiro, o treinador Roberto Fernandes arrotou que o clube era o melhor. Resolveu peitar o Vasco, não adotou uma marcação especial, não estudou o adversário, e só não levou de 6 x0 em plena Barbielândia porque os cruzmaltinos tiraram onda. Depois, como sempre, não encararam a Coisa.
O Santa Cruz, com orçamento modesto, treinador modesto, jogadores modestos, foi caminhando por fora. Com os meninos da base, fomos ganhando força, crescendo no campeonato. Amparados por uma torcida fenomenal, chegamos à final, vencemos a Coisa em seu estádio e chegamos à final com uma larga vantagem.
Então, o que faz a barbie?
Deixa de lado seu discurso elitista e adota o bordão safado do “Triconáutico”, adotando um parentesco que nunca existiu, que a história desmente e que jamais aceitaremos.
O Náutico, até os anos 1950, não aceitava negros em sua sede, na Rosa e Silva.
O Santa Cruz nasceu negro, cresceu negro e sempre esteve com os pés nos morros, na massa, na mistura de cores e classes. No domingo à noite, após o título, era possível encontrar tricolores brancos, pardos, negros, azuis, amarelos, indígenas, cascabulhos, aimorés, cascatais, monumentais, emblemáticos.
Esse papo de “Triconáutico” é o seguinte: A Barbie morre de medo da Coisa. O Santa sempre dá na Coisa.
Eles querem passar para o Santa o bastão. Fazemos o que eles têm medo de fazer.
Não venham atrapalhar nossa festa. Esse papo de “triconáutico” não cola.
Procurem um clube para chamar de seu, e que este não seja o meu.
É campeão!!!!


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