domingo, 5 de junho de 2011

Histórias de bichos e de futebol



HISTÓRIAS DE BICHOS E DE FUTEBOL


Clóvis Campêlo

Mais uma vez, meus caros amigos, nessa historinha, vai aparecer o nome do poeta carioca Moacy Cirne. Conheci-o em 1993, na terceira edição do Festival de Inverno de Garanhuns, onde ele comandava uma oficina literária.
Torcedor doente do Fluminense do Rio, morando, inclusive, no bairro das Laranjeiras, onde fica a sede do clube, e frequentador assíduo do Maracanã, contou o poeta que em um dos inúmeros Fla x Flu por ele assistido, a torcida flamenguista resolveu inovar levando para o estádio um urubú, símbolo e mascote do clube.
Antes do início do jogo, torcidas inflamadas, bandeiras agitadas e sob um foguetório imenso, o animal é jogado para o alto, executando um voo circular belíssimo e de intensa plasticidade, caindo na torcida adversária onde é literalmente estraçalhado.
Assim como o urubu abatido, o Flamengo também foi derrotado dentro de campo pelo maior rival.
Outra historinha interessante aconteceu no Estádio da Ilha do Retiro, em um clássico entre Sport e Náutico, a alguns anos atrás. A torcida do Náutico soltou em campo um timbu, animal símbolo do clube alvirrubro pernambucano.
Assustado pelo ambiente hostil e barulhento, o bicho avançou contra o lateral direito Saulo, do Sport, que se defende desferindo no animal um chute potente e fatal.
Além de comprar uma briga com a torcida adversária, o jogador ainda respondeu a um processo que lhe foi movido pela Sociedade Protetora dos Animais.
O futebol pernambucano, aliás, está repleto de histórias envolvendo animais. Quem não se lembra, por exemplo, do boi prometido pela direção do Náutico ao famoso Pai Edu em comemoração a uma conquista estadual. Após vários anos sem conquistar título algum a direção tentou saldar a dívida enviando ao famoso babalorixá um boi capado, o qual não foi aceito pelo santo credor. Enquanto um animal "completo" não foi enviado ao terreiro, em Olinda, o clube da Avenida Rosa e Silva amargurou um longo jejum de títulos, chegando inclusive a ser rebaixado à terceira divisão do futebol brasileiro. Dívida paga, voltaram a paz e os títulos ao clube.
Mais prosaica ainda foi a história vivida pelo meu compadre Zezo, no bairro da Iputinga. Torcedor fanático do Santa Cruz, tinha em casa um galo de campina, passarinho com penas vermelhas, brancas e pretas, cores do clube. Com o canto do pássaro implicava um vizinho torcedor do Sport. Um dia o pássaro aparece morto na gaiola, supostamente envenenado. A vingança ocorreu com a morte de um galo de briga vitorioso do vizinho, de nome Merica, na época um dos jogadores de destaque do clube rubro-negro. O "derramamento de sangue" só foi interrompido e resolvido na delegacia do Cordeiro, onde as partes litigantes chegaram a um acordo de paz.
Mais antiga é a história do leão da Praça da Bandeira. Pouca gente sabe mas o Recife é uma das cidades brasileiras onde existem mais esculturas de ferro importadas da França. Nesse quesito, aliás, só perdemos para a cidade do Rio de Janeiro. Pois bem. Em 1968, quando o Clube Náutico Capibaribe conquistou o famoso hexacampeonato derrotando o Sport numa série melhor-de-três, a estátua do leão, na época localizada no meio da praça, em frente ao estádio do clube rubro-negro amanheceu vestida com a camisa alvirrubra do Náutico e a faixa do hexa. Foi uma zorra total.


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