segunda-feira, 4 de julho de 2011

O que nos reservará o futuro?


Fernando Bezerra Coelho e Bacalhau

O QUE NOS RESERVARÁ O FUTURO?


Clóvis Campêlo
 
Nada mais desinteressante para a torcida tricolor, no momento, do que a anunciada eleição para a presidência do clube. Os dois candidatos que se apresentam no momento, um deles apoiado pela direção atual, ainda não disseram a que vieram. Os pouquíssimos sócios em dia e em condições de voltar, estão mais perdidos do que cego em tiroteio.
Nada mais melancólico, aliás, do que o final de mandato do presidente Fernando Bezerra Coelho: salários atrasados, jogadores deixando o clube por conta dos encargos sociais devidos ou por conta de contratos mal elaborados e prejudiciais ao clube, e uma sensação de que muito foi dito e pouco foi feito em termos de futebol profissional. Pouco restou daquela sensação ufanista inicial que tomou conta da grande e sofrida família tricolor quando da sua eleição, em 2008.
Todos nós sabíamos que a ida de FBC para o Santa Cruz estava atrelada ao seu projeto político de ser senador da República. O que não esperávamos jamais era que esse projeto abortado, por conta das costuras e alianças partidárias, viesse a afetar de forma direta os destinos e o equilíbrio interno do clube.
Hoje, às vésperas de mais um campeonato pernambucano, onde ainda precisaremos garantir uma boa classificação para sermos incluídos na Série D do Campeonato Brasileiro de 2011, estamos na estaca zero. E o que é pior, sem nenhum entusiasmo visível. Do resumido elenco, só nesta semana, perdemos mais dois jogadores jovens e que poderiam nos render alguns dividendos no futuro.
Vivemos hoje do nosso passado e da nossa tradição. Na década atual, conquistamos apenas o Estadual de 2005, num lance de sorte. Lembro que naquele ano, pouco antes do início do certame, ainda não tínhamos um time montado, enquanto o nosso adversário principal se fortalecia para conquistar o título do seu centenário. Em pouco tempo, amadoristicamente, montamos um time com jogadores jovens e baratos e conseguimos desbancar o primo rico. Essa derrota, até hoje eles tem atravessada na garganta.
Mas, isso também já faz parte do passado. Futebol profissional hoje, para ser feito com seriedade, necessita de planejamento, estratégias e força política nos bastidores. E isso, com certeza, até o momento, não temos observado no Arruda.
Para onde irá o Santa Cruz em 2011? Seremos mais uma vez modestos participantes do Estadual, disputando com os times intermediários a vaga para a Série D do Brasileiro? Essas são perguntas que tenho feito a mim mesmo sem encontrar respostas seguras e tranquilizantes.


Obs.: Crônica escrita no dia 25.10.2010, poucos dias antes da eleição de Antônio Luiz Neto para a presidência do Santa Cruz.

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