quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Seu João tem razão


O atacante Brasão

SEU JOÃO TEM RAZÃO

Clóvis Campêlo

Assisti ao jogo Santa Cruz 0 x 0 Confiança, ontem, nas sociais do Estádio do Arruda, ao lado do meu filho Gabriel e de seu João, torcedor coral que conheci no local.
Com quase 70 anos de idade, seu João traz na memória momentos inesquecíveis vividos nas Repúblicas Independentes do Arruda na época em que o Santa Cruz tinha uma grande equipe e impunha respeito a qualquer adversário que nos enfrentasse.
Ao ver Givanildo Oliveira entrar em campo para comandar a equipe no pífio empate com o time sergipano, seu João lembrou do meio de campo famoso, formado pelo atual treinador coral, Erb e Luciano Veloso.
Lembrou do goleiro Detinho, de baixa estatura mas de uma elasticidade incrível, fechando o nosso gol e garantindo vitórias memoráveis.
Lembrou de atacantes fastásticos, como Ramon, Nunes, Fernando Santana, Cuíca e Mirobaldo, entre outros, que realmente faziam gols e eram respeitados dentro e fora do Arruda.
Lembrou da convocação de Givanildo para a seleção brasileira de futebol, em 1976, saindo direto do Santa Cruz para disputar a Copa do Bicentenário, nos Estados Unidos, enchendo de orgulho a imensa torcida coral.
Lembrou até do início da construção do Estádio José do Rego Maciel, quando a torcida colaborou levando cimento, tijolos e tinta para tornar realidade aquele sonho fabuloso.
Enfim, seu João esteve falante durante todo o jogo, resgatando do passado esses momentos de glória; tentando ressuscitar no presente incerto o espírito vencedor de equipes e atletas que souberam estabelecer, com galhardia, os seus nomes e o nome do clube no cenário esportivo brasileiro.
Seu João esteve saudosista como a prever mais um fracasso do seu clube, o que realmente aconteceu.
Findo o jogo, com a torcida coral de mais de 26.000 pessoas ensaiando uma vaia justa e desabafadora, seu João ainda teve ânimo de me dizer, num fio de esperança, que matematicamente ainda temos chance de classificação.
Desisti da vaia e passei a pensar como seu João. Afinal, não dizem que a voz do povo é a voz de Deus. E seu João é um homem do povo, sofrido, vivido e calejado pelos dias de glória e de dor.
Eu também, companheiros, a essa altura do campeonato, quero é me agarrar a qualquer possibilidade de sobrevivência como um naufrágo desesperado em alto mar. Vamos a Aracaju, no próximo domingo, em busca das chances que ainda nos restam.
Seu João tem razão.

Obs.: Crônica escrita após o jogo Santa Cruz 0 x 0 Confiança, em 01.08.2010, e publicada originalmente no blog Inútil Paisagem.

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