sábado, 17 de setembro de 2011

1951: um ano de pouco brilho



O goleiro Rugilo, do Vélez-Sarfields, que atuou no Recife

1951: UM ANO DE POUCO BRILHO


Clóvis Campêlo

Ao longo da sua história, o Santa Cruz enfrentou vários momentos de crises e de desempenhos insatisfatórios nos certames estaduais.
Em 1951, foi assim. Em um campeonato disputado por apenas cinco clubes (Náutico, Sport, América, Santa Cruz e Auto Esporte), a equipe coral ficou em penúltimo lugar, a frente apenas do Auto Esporte, uma equipe sem tradição e sem grandes conquistas no nosso futebol.
Antes do estadual, porém, que só se realizaria no segundo semestre, no dia 11 de janeiro, o Conselho Deliberativo do santa Cruz elegeu Antônio José Ferreira Leal e Yone Sabino Pinho, respectivamente , como presidente e vice-presidente do clube. Posteriormente, seria divulgada a composição total da diretoria, que ficou assim constituída:
Presidente: Antônio José Ferreira Leal; Vice-presidente: Yone Sabino Pinho; Secretário Geral: Antônio de Oliveira Belém; 1º secretário: Ernani Sá Carneiro; Tesoureiro: Ubaldo da Cunha Oliveira; 2º Tesoureiro: José Albuquerque; Diretor de Desportos: Carlos Afonso de Melo; Diretor de Futebol Amador: José Amaral; Diretor de Futebol Juvenil: Djalma Esteves; Diretor do Departamento Jurídico: Milton Malta Maranhão; Diretor do Departamento de Propaganda: Nilson Sabino Pinho; Diretora do Departamento Feminino: Maria Emília de Araújo Galvão; Diretor do Bar: José Antônio Botelho Santos.
Entre os componentes da nova direção, destaca-se a presença do major Carlos Afonso de Melo, ex-presidente do clube no biênio 1931/1932, quando conquistamos os nossos primeiros campeonatos estaduais.

OS JOGOS

Em 16 jogos disputados pelo Estadual, vencemos apenas cinco, empatando três e perdendo oito partidas. Marcamos 26 tentos e sofremos 31 gols. Uma campanha apenas sofrível, num certame ganho pelo Náutico (campeão do 2º turno) após uma melhor-de-três disputada contra o Sport (vencedor do 1º turno).
Durante todo o ano, o Santa Cruz efetuou 43 jogos, enfrentando desde equipes estaduais, como os acima citados, até equipes amadoras como o Atlântico de Olinda, campeão suburbano, o Colombo, de Limoeiro, e o Leão XIII, de Catende.
No âmbito interestadual, enfrentamos o Vasco da Gama e o Madureira, ambos do Rio de Janeiro; o Bahia e o Galícia, ambos da Boa Terra, além do Botafogo/PB, Treze/PB, ABC/RN, Moto Clube/MA, Auto Esporte/PB e o CRB/AL.
O jogo contra o Vasco foi realizado no domingo, dia 24 de junho, no Estádio da Ilha do Retiro, quando perdemos por 3x1. Segundo a imprensa da época, a equipe carioca não precisou de muito esforço para derrotar o time coral, estabelecendo o placar em ritmo de treino, em que pese o apoio da torcida tricolor e a grande renda registrada. Uma outra atração do jogo foi o juiz carioca Mário Viana, dos quadros da CBD e da FIFA, que foi auxiliado por Luiz Zago e Ivanildo Bezerra. Na equipe carioca atuou o ex-jogador alvi-rubro Amorim, marcando, inclusive, um dos tentos vascaínos. Friaça e Maneca completaram o placar para o Vasco, enquanto Paraíba, descontou para os pernambucanos.
O Santa Cruz perdeu com Brasil, Pessoa e Duca; Diogo (Ananias), Mariano e Pedrinho; Elói, Amauri, Paraíba, Santos e Sibaúna. Técnico: Valentim Navamuel.
O Vasco da Gama venceu com Barbosa, Augusto e Clarel; Eli, Danilo e Alfredo; Tesourinha. Maneca, Friaça (Amorim), Ipojucan e Chico (Jair). Técnico: Oto Glória.
A equipe cuzmaltina, base da seleção carioca campeã brasileira em 1950, antes de enfrentar o Santa Cruz, também derrotou o Náutico e o América, saindo do Recife invicto e ratificando o seu cartaz de grande equipe.

ATRAÇÃO INTERNACIONAL

O ponto alto do ano, porém, foi quando no dia 9 de dezembro, a equipe coral enfrentou o Vélez Sarsfield, da Argentina, que por aqui excursionava patrocinado pela Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco, em comemoração aos 30 anos de existência da entidade. A equipe portenha realizaou três jogos entre nós, derrotando o Náutico por 3x2, na estréia, no dia 6; derrotando o Santa Cruz por 3x1, no dia 9, e vencendo o Sport por 3x2, no dia 25, de pois de atuar invictamente em campos da Paraíba e de Alagoas.
O jogo contra o Santa Cruz foi realizado no Estádio da Ilha do Retiro, sendo apitado por Argemiro Féliz de Sena, o Sherlock, auxiliado por Américo de Brito e José Miguel. Os gols foram marcados por Manzi, Mallegni e Costa, para os argentinos, e Mauri, para o Santa Cruz.
A equipe coral atuou com Milton, Pedrinho e Palito; Diogo, Artur e Totinha; Miguel, Procópio, Santos (Mauri), Natanael e Dodô.
O Vélez Sarsfield venceu com Rugilo (Adamo), Huss e Allegri; Scruglli, Ruiz e Ovide; Napoli, Mallegni (Beatrice), Russo (Costa), Zubeldia e Manzi.
Ao todo, durante o ano, o Santa Cruz realizou 42 partidas, vencendo 16, empatando 10 e perdendo 15 jogos. Marcou 84 gols e sofreu 73. Deixamos de computar dois jogos, um contra o Treza da Paraíba e outro contra o Leão XIII, de Catende, porque a imprensa da época não noticiou os resultados.

A DESPEDIDA DE GUABERINHA

Um detalhe interessante diz respeito ao empate de 2x2, contra o Sport, no dia 28 de janeiro, na Ilha do Retiro, pela Taça Torino, quando o lendário Guaberinha fez o seu último jogo com a camisa do Santa Cruz, atuando na lateral-direita.
Nesse jogo histórico, apitado por Luiz Zago, o time coral atuou com Brasil, Guaberinha e Palito; Mergulho (Diniz), Diogo e Pedrinho; Elói, Arquimedes, Milton (Mituca), Amauri e Adonias.


2 comentários:

Everi Rudinei Carrara disse...

DESSA EU NÃO SABIA, O velez jogando contra o SANTA e os demais clubes brasileiros, nem do goleiro RUGILO....
abçs

Bráulio de Castro disse...

Clóvis, a zaga do Santa Cruz lendária, foi Godofredo e Palito, um matava e o outro enterrava.