domingo, 18 de setembro de 2011

Cuíca, um hepta na época do hexa



CUÍCA, UM HEPTA NA ÉPOCA DO HEXA

No ano que o Náutico começou sua saga do hexacampeonato, um baixinho dava início a uma carreira que se mostrava promissora, num bairro próximo aos Aflitos. Em 1963, João José Venceslau mostrava habilidade e muita velocidade jogando pelo clube amador do Cacique, na Várzea. Um ano depois, estava nas divisões de base do Santa Cruz, onde iniciava uma sequência de títulos superior a do Timbu. Cuíca, como ficou conhecido no futebol, foi hepta estadual.
Chamando atenção nas peladas e torneios defendendo o Cacique, Cuíca foi logo chamado para o Sport, pelo então técnico Alexandre Borges, das divisões de base, em 1964. Mas pouco depois optou pelo Santa Cruz, clube do coração. No Arruda foi campeão juvenil em 65, bi nos aspirantes em 66 e 67 e, já no profissional, participou dos quatro primeiros títulos do pentacampeonato coral.
“Em 1973 passei no vestibular de educação física e deixei o Santa. Joguei ainda dois anos no América, antes de parar”, diz o ex-ponta-direita, que fez história numa equipe que tinha Luciano Veloso, Fernando Santana, Ramon, Gena e Givanildo.
Dos diversos jogos inesquecíveis, Cuíca gosta de lembrar de dois, especificamente. São as finais de 1970 e de 71, ambas contra o Sport. “Em 70, fiz um gol e o outro foi de Ramon. Em 71, o tri foi com um gol meu”, recorda.
Ao pendurar as chuteiras, Cuíca só trocou de vestiários. Já estudante universitário, fez curso de árbitro e passou a apitar partidas de futebol de salão (hoje futsal) e, logo depois, de futebol de campo. Passou a integrar o quadro da Federação Pernambucana e chegou a ser aspirante à Fifa. “Era o único árbitro do Brasil que tinha um clube e não escondia”, afirma o tricolor.
Cuíca apitou a final do Estadual de 89, quando o Náutico sagrou-se campeão. Em cima de seu Santa Cruz. “E o gol do título do Náutico foi num pênalti que marquei”, relembra. Aposentado, agora aposta suas fichas no filho, Giorgio Wilton, Cuiquinha, que pertence à Comissão Estadual de Arbitragem. “Ele tem futuro. Vem apitando bem e já merecia mais chances”, diz, corujando.
Quanto ao futebol atual, o ex-ponta do Santa sente falta dos anos dourados. “Tem que ser saudosista sim. Hoje é só força. Quando aparece um Messi, um Neymar, todos se deslumbram. Antigamente haviam vários Messis”, afirma. “Eu mesmo preferia o drible ao gol. Uma vez, no Nordestão de 68, driblei o goleiro do Calouros do Ar-CE três vezes. Meus amigos correram para dar em mim. Mas ainda bem que fiz o gol...”, acrescentou, às gargalhadas.


Fonte: Jornal do Commercio, Recife, em 02/5/2010

- Postagem revisada e atualizada em 08/01/2018

4 comentários:

Bráulio de Castro disse...

Clóvis, O Cacique não é da Várzea, mas do bairro do Zumbi, inclusive quem tomava conta do time era seu Djalma, gerente da Fábrica do mesmo nome.
Os times famosos daquela região, eram: Cacique do Zumbi, Centro do Cordeiro, onde jogou um dos maiores centro avantes que eu conheci (Gordo), o Caxangá(onde jogou Djalma, do Sport), O Recreio da Várzea, o Guarani de Camarajibe. Exite outro time da Várzea, mas a memória está me traindo. Eu fui criado na Iputinga e desconheço outro time com o nome de Cacique.

Clóvis Campêlo disse...

Acho que você tem razão, Bráulio.
Também lembro do Cacique do Zumbi.
Mas, como transcrevi matéria do JC, mantive o original.
Abraços tricolores

Bráulio de Castro disse...

Como é que um Jornal de gande circulação como o Comércio, não faz uma pesquisa pra fazer uma reportagem tão importante.

Leonardo Dantas Silva disse...

Perdão...
Penso que o Cacique tinha sua sede e campo no Zumbi, bem em frente à Fábrica de Estopa, na Avenida Caxangá, fazendo fronteira com o Sítio do Cardozo. A casa em ruínas, na qual nasceu o poeta Joaquim Cardozo, ainda existe.