sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O espírito do Estadual nos levará ao título



O ESPÍRITO DO ESTADUAL NOS LEVARÁ AO TÍTULO

Samarone Lima

Depois de umas reflexões demoradas comigo mesmo, entendi algumas questões do Santa Cruz nesta Série D: parece que a conquista do Estadual 2011 subiu à cabeça.
O time começou desacreditado, iríamos buscar uma vaga na Série D, aquela conversa sem graça ou esperança. O assunto era apenas um – se a coisa seria ou não hexa, para tirar a única bóia a que as barbies se agarram, nos momentos de depressão futebolística. O Santa pode ter passado por muitas, mas jamais passamos uma vergonha com a deles, naquele jogo contra o Grêmio, em 2005, com quatro jogadores a mais em campo.
Aos poucos, nosso treinador foi montando um time, aproveitando os garotos que vingaram da base. Cada jogo do Estadual passou a ser disputado como se fosse o último, a torcida lotava o Arrudão, e quando o São Paulo veio fazer um “jogo-passeio”, pela Copa do Brasil, certo de um 4 x 0 folgado, descobrimos que algo tinha nascido. O Santa voltou a tocar em seu passado, descobriu que era grande, guerreiro, que não temia qualquer camisa ou escudo. Até hoje comemoro o estádio inteiro mandando aquele boçalzinho do Rogério Ceni se foder, naquele 1 x 0 transmitido para todo o Brasil.
Jogos difíceis por estádios os mais capengas, um time vibrante, raçudo, fomos nos erguendo. As lapadas seguidas na coisa, tanto no Arruda quanto na casa deles, nos encheram de júbilo. Depois veio o título, a festa, tiração de onda. Um time compacto, forte, unido, sem essa de bola perdida, com um goleiro em plena forma, um zagueiro-artilheiro. Depois, o milagre – quase todo o time ficou, para disputar a Série D.
Então surge o mistério. Não sei se foi a pausa entre o fim do estadual e o começo da Série D, mas parece que os caras pegaram uma febre, perderam a fome, a gana, aquele sentimento de que cada jogo era uma decisão. Esqueceram que o Santa tinha a obrigação de ser o líder de sua chave, disparado.
Nesse intervalo, surge um personagem: Thiago Mathias, o zagueiro-artilheiro.
Cá entre nós, até hoje não engulo aquela série de jogadas no começo do jogo conta a Coisa, o primeiro jogo da decisão. Tanto fez, que foi substituído em 15 minutos, para não ser expulso. Alí, poderíamos ter perdido o título.
O sujeito ligava a TV, estava lá, o Thiago, dando entrevista, participando de especial. Convidado especial de 9 de cada 8 mesas-redondas, de grandes matérias, tornou-se maior do que julgava ser. Enquanto isso, o futebol do Santa, na Série D, parecia a bolsa de Nova York – sempre piorando.
Eu tinha um sentimento que agora confesso. Achava que alguma coisa teria que acontecer, para que o fogo reacendesse, os jogadores descobrissem que já fizeram algo grande e podem fazer ainda maior. Queria também que a torcida voltasse a estufar o peito. Não só ir ao estádio, mas ir para torcer, tirar onda. Torcer feliz. Só não sabia qual era este sentimento.
Esta semana ganhamos um prêmio. Thiago Mathias revelou, com suas atitudes, com a falta de tato, que o grupo estava dividido, que a fogueira das vaidades estava sendo maior do que pensávamos. O espírito do Estadual estava só na lembrança. Bingo! Era isso. O grupo não estava fechado, como no Estadual.
Ele sai do grupo no momento certo, o Santinha sai fortalecido dessa e sinto que a massa coral pegou gás, para o jogo de domingo.
No vestiário, antes da partida, o Zé Teodoro podia reunir o grupo e dizer:
“Lembrem do que vocês já fizeram, usando esta camisa. Ninguém esquece de jogar bola”.
Com o espírito guerreiro do Estadual, e só com ele, chegaremos à tão sonhada classificação para a Série C.
Quanto ao Thiago Mathias, tem motivos de sobra para lamentar. Um sujeito que era ídolo da torcida, respeitado pela diretoria, comissão técnica, que tinha projeto para os próximos anos, de ser o capitão no centenário, sair do clube desse jeito, só pode estar ruim da cabeça – ou doente do pé.
Domingo, todos ao Arruda. Do mais ponto mais profundo da minha humildade, já penso no título.

Copiado do Blog do Santinha

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