terça-feira, 11 de outubro de 2011

O domingo, a missa e a camisa do Santa Cruz



O DOMINGO, A MISSA E A CAMISA DO SANTA CRUZ

Alberto Felix, de São Paulo


Domingo, dia de coisa boa, do almoço, das brejas, três dezenas de brejas pra começar está bom.

Domingo, a patroa na cozinha, feliz (eh sabadão!) tal qual uma alquimista inventa cheiros e cria sabores, para mim a cozinha é quimica, fisica, misticismo e religião.
Domingo, dia de missa, eu não costumo perder a missa de domingo, em que pese a minha formação esquerdista, eu gosto e pronto, desde do tempo que padre José dizia – "Domingo sem missa semana sem graça" -. Nem sei se ele disse isso, mas se não disse, agora disse.
Domingo, dia de coisa boa.
Na graça deste domingo em São Paulo, domingo mais paulistano que Paulo Vanzoline e Inezita Barroso.
Domingo, gelado na pauliceia desvairada, o sol é como luz de geladeira ilumina mas não aquece.
Domingo, almoço, missa e brejas!
Domingo tem futebol!
O Santa Cruz joga hoje, eita! O Arruda até a tampa!
Quem nunca viu, vem ver caldeirão sem tampa ferver!
Eu a centenas e centenas de quilômetros do Colosso do Arruda cismo e padeço.
Jogo do Santa Cruz é sempre como a primeira bimbada tu não sabe o que vai acontecer, as mãos gelam, o coração dispara e os intestinos se dissolvem.
É uma dor de barriga na portinha!
Domingo, marcho para a missa, trajado com o manto sagrado do Santinha.
Na igreja, tem gente de todo jeito, alguns com camisas de seus times de fé e devoção.
Um engraçado (sem graça alguma) me pergunta: - É a camisa do São Paulo? Só não respondo a altura porque estou em solo sagrado.
Começa a missa.
Tome evangelho, tome sermão e tome hóstia.
Acabou, ¨Ite missa est¨
Na saída da igreja o padre me cumprimenta e diz: - Bela camisa. E toca no escudo do Santinha. Eu respondi. Seu padre precisamos de muita oração.
Pois, nesse domingo o Santa Cruz levou uma arrombada pior que aquele jogo com o Bahia.
Eu cheguei a conclusão que: Não se deve ir a missa com a camisa do Santa Cruz.
Dá um azar arretado!

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