sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quando tem de acontecer



QUANDO TEM DE ACONTECER

Clóvis Campêlo

Às cinco horas da manhã, o telefone toca. Levanto assustado e atendo. Era Renato Boca-de-Caçapa, o filósofo do povo, eufórico: “Meu irmão, te prepara que vamos ser campeões. Sonhei que o Santinha vai meter 2x0 nesse índio mineiro, com Fernando Gaúcho deixando a sua marca nas redes. Se segura, que tu vai ver o Arrudão explodir. Essa cobra é teimosa”. Desligou e me deixou pensativo, pois quando se trata do Clube das Multidões, não costuma errar.
Já disse um poeta que as coisas têm uma força muita grande quando devem acontecer. Isso se aplica com muita propriedade ao momento que o Santa Cruz está vivendo.
Começamos o Campeonato Pernambucanos desacreditados, correndo por fora, na base do que vier é lucro, depois de cinco anos de campanhas medíocres e desanimadoras. O resultado todo mundo já sabe: fomos campeões e evitamos o hexa do Sport. Ou seja, um título duplamente satisfatório.
Depois, na Copa do Brasil, enfrentamos o São Paulo na segunda rodada, depois de despacharmos, com um único jogo, o Corínthias potiguar. Vencemos em casa por 1x0 e perdemos a segunda partida por 2x0, em Barueri. Fomos eliminados pelo time paulista, é verdade, mas mostramos a todo o Brasil o nosso espírito de luta e a força da nossa grande torcida. O Santinha voltava a ser respeitado novamente.
E lá vem a Série D, onde penávamos desde 2009. O trauma das duas más campanhas anteriores ainda assustava muita gente, dentro e fora de campo. Com atuações nem sempre convincentes, mas com um espírito de luta renovado e redobrado, fomos superando os obstáculos, um a um, e avançando rumo à classificação à Série C, o que mais nos interessava de início. Conquistada a classificação com todos os méritos, resta-nos agora o título inédito e precioso da Série D.
Perdemos o primeiro jogo em Juiz de Fora, também é verdade, mas, mais uma vez, estará na nossa capacidade de superação reverter a vantagem do Tupi, guardar a taça na nossa sala de troféus e fazer mais uma festa nas Repúblicas Independentes do Arruda.


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