sábado, 17 de dezembro de 2011

Santa inaugura seu campo junto à sede em Afogados



SANTA INAUGURA SEU CAMPO JUNTO Á SEDE EM AFOGADOS

Givanildo Alves

O Santa Cruz, depois de esforços e sacrifícios, consegue finalmente concretizar um velho sonho de seus associados e torcedores: ter o seu próprio campo para realizar treinos e jogos oficiais.
O local era ao lado da sua sede social, na rua São Miguel, em Afogados, que a diretoria tricolor pensava em transformar na melhor praça de esportes do Recife, superando o estádio da avenida Malaquias, de propriedade do Sport Club do Recife, que se orgulhavada sua arquibancada de madeira adquirida ao Fluminense do Rio de Janeiro.
A inauguração do reduto tricolor foi marcada para o sábado, dia 8 de dezembro de 1928, após muitas reuniões da diretoria, pois era intenção do presidente do Santa, Carlos Rios, promover uma festa de arromba. Apesar da difícil situação financeira que atravessava o clube, investiu-se no evento, contratando-se os serviços da casa Gallo Preto para ornamentação da área que circundava o campo, bem como a instalação de um palanque para os discursos e um coreto para a banda de música.Todas as figuras importantes do clube foram convocadas para colaborar no programa a ser preparado para a grande festa do Santa que, apesar de haver se desenvolvido em outras atividades, como no remo, por exemplo, fazia pouco tempo, ainda não tinha feito as pazes com o título, que perseguia desde a fundação da Liga, em 1915. Eram, portanto, 13 anos em que o campeonato não saia das mãos do Sport e do América e, nas duas oportunidades em que escapou dos dois poderosos clubes, uma vez ficou com o Flamengo (campeão em 1915), e outra com o Torre, em 1926. A torcida não aceitava esse jejum de um clube que conseguira se infiltrar na alma do povão recifense, mas não lhe dera ainda uma explosão de alegria. O campo era, pois, uma necessidade.Várias comissões foram formadas para garantir o êxito da inauguração. Recepção: Fragoso Selva, Lessa de Andrade, Ramos Leal, João de Souza Leão; Polícia: Carlos Afonso, Jayme Rosas e Jorge Moura; De Jogos: Manfredo Cunha, José Luiz de Barros e Lindolfo Silva; Assistência aos Jogadores: Luiz Barbalho, José Luiz Vieira, Guilherme Rodrigues e Daniel Pernambucano.
Para surpresa da Liga, a diretoria tricolor não incluiu na sua festa nenhum clube que disputava os jogos oficiais da entidade. Preferiu-se organizar um torneio com a participação somente das agremiações que faziam parte do certame suburbano, cuja tabela foi a seguinte: Belga x Varzeano; Iris x Great Western; Afogadense x Ateniense; Auto Esporte x Tuyuty; Concórdia x A A. do Arruda e Mocidade.
Os jornais abriram espaços para o acontecimento tricolor em Afogados, ao qual compareceu um público numeroso, tomando todos os locais das proximidades do campo. A Pernambuco Tramways nesse dia fez circular grande número de carros até no campo. Foram estabelecidos os seguintes preços para entrada: Cavalheiro, 1$100; Crianças, $500; Automóveis, incluindo os ocupantes, 10$000. Mulher não pagou.
O grande evento foi encerrado com uma partida em que os jogadores do Santa Cruz atuaram com a camisa do Fortaleza ( um time suburbano) contra o Marvelo, que nada mais era do que o quadro do Flamengo, pertencente à Liga. Quem dirigiu o encontro foi o presidente do Santa Cruz, Carlos Rios, que era considerado um competente "referee". O Fortaleza, ou melhor, o Santa Cruz, ganhou de 2x1.
A semente jogada em Afogados não germinou. O Santa, que nascera na Boa Vista, haveria ainda de peregrinar por outros caminhos até encontrar o Arruda, sua Canaã, onde se instalou a partir de 1943.

Fonte: História do Futebol em Pernambuco, Capítulo 26, Diário de Pernambuco, Recife, sexta-feira, 28 de julho de 1995, pag. B-5.


3 comentários:

Arquivo Coral disse...

Clóvis Campêlo, saudações tricolores. Aqui é o Ed Cavalcante, do blog Arquivo Coral. Gostaria de saber se você sabe em que trecho da rua São Miguel era esse campo do Santa? Tem essa informação?

Antecipadamente, agradeço!

Clóvis Campêlo disse...

Infelizmente não, Ed. A informação eu peguei no livro de Givanildo Oliveira.

ED CAVALCANTE disse...

Clóvis, acabei descobrindo a informação depois de ter postado no seu blog. No ótimo acervo do blog Memórias do Santa Cruz (http://memoriasdosantacruz.blogspot.com/)tem um recorte do Diário da Noite informando que o campo localizava-se na rua São Miguel onde hoje funciona um quartel do exército. Sei onde é. Abraços!