quinta-feira, 21 de março de 2013

Diretor quer chance para revelações da base no equipe profissional: "Esse é melhor time de juniores dos últimos tempos"

O Santa Cruz passa por um momento difícil nos gramados na temporada 2013. Sem conseguir empolgar em campo e sem dinheiro em caixa para contratar, a solução para qualificar algumas posições da equipe pode estar nas divisões de base do próprio clube.
Assim como o zagueiro Éverton Sena e os meias Renatinho e Natan, que foram revelados no Arruda e hoje são peças chaves do elenco de Marcelo Martelotte, outros valores vão conquistando seu espaço, como o lateral Nininho e o meia Jefferson Maranhão.

Tudo isso prova que o trabalho nas divisões de base do Mais Querido, apesar de difícil, vem sendo bem feito. Um dos responsáveis por isso é o diretor Thomas Pereira, que hoje coordena o projeto. Em entrevista ao site CoralNET, o dirigente coral falou sobre as dificuldades que vive no dia-dia e a confiança que tem no futuro do clube.

INÍCIO

Thomas chegou ao Arruda em 2012, convidado pelo ex-presidente Rodolfo Aguiar, para ajudar no trabalho que já vinha sendo feito por outro grupo de torcedores. A idéia era ajudar na gestão e reformular algumas coisas. Esse grupo de tricolores acabou se afastando por motivos políticos e Thomas ficou à frente da base.

"Cheguei ao Arruda para ajudar e acabei ficando sozinho. Pela necessidade tive que montar um novo modelo de gestão e no começo fiz algumas modificações pontuais que acabei achando melhor para o clube. Acredito que estou fazendo um bom trabalho e trazendo frutos para o Santa", disse.

DIFICULDADES

Para o dirigente, a maior dificuldade de gerir a base do Santa está na falta de apoio de outros torcedores. Segundo ele, a cobrança é grande e ajuda ainda é tímida.

"Quem está de fora e vê o tamanho da torcida do Santa pensa que é fácil trabalhar aqui, que muita gente chega para ajudar, mas não é assim que acontece. A maioria dos torcedores apenas cobra os resultados e nunca está disposto a entrar em ação. Todo mundo só quer ver a coisa pronta e funcionando. E quanto eu falo ajudar não é com dinheiro, precisamos de gente aqui para trabalhar conosco. Contadores, médicos, assistentes sociais, profissionais de marketing, qualquer um pode ajudar", disse.

E continuou: "Sei que os outros clubes também tem esse mesmo problema, mas precisamos realmente de apoio. Se tivéssemos 6 ou 7 gestores dividindo as atividades ficaria tranquilo para todos. Estou cansado de convidar as pessoas para ajudar e ouvir desculpas. Todos se excluem", desabafou.

REVELAÇÕES

Ciente das carências do elenco profissional, Thomaz engrossa o coro da torcida na cobrança pela utilização de alguns dos atletas dos juniores no time principal.

"A história do Santa Cruz por si só prova que os maiores times que fizemos foi usando jogadores da base e da região. Sou a favor de mantermos essa tradição, até por que não há dinheiro para grandes contratações. Ex-jogadores como Rubens Salim, Luciano Veloso e Alfredo Santos são unânimes em dizer que nosso time de juniores atual é um dos melhores dos últimos anos e nós precisamos valorizar isso", falou.

"Temos diversos atletas com condição de atuar no profissional e fazer bonito. Só precisamos dar confiança para eles e acabar com esse pensamento que santo de casa não faz milagre. Tanto que diversos clubes já demonstraram interesse no empréstimo desses jogadores, como o Belo Jardim, que queria o atacante Wagner, mas o presidente não aceitou", disse.

MARTELOTTE

Thomaz diz que o relacionamento dele com o treinador Marcelo Martelotte, dos profissionais, é bom e sabe que a pressão tem sido grande para ele utilizar mais os atletas da base.

"No Brasil o treinador está sempre com o cargo ameaçado. Duas ou três derrotas seguidas são suficientes para derrubar um técnico. Então às vezes é complicado para eles usar os jogadores menos experientes. Martelotte, por exemplo, diz que gosta de contar com jogadores `prontos`, mas como o atleta vai ficar `pronto` sem entrar em campo?", questionou.

E continuou: "Renatinho, por exemplo, foi dos juniores direto para o profissional e ganhou maturidade e experiência jogando, assim como Éverton Sena. Por isso acredito que os meninos da base deveriam ter mais chances".

CALENDÁRIO

O diretor coral disse que um dos grandes problemas de manter um time de juniores em atividade era o calendário de competições no ano, que tinha poucos campeonatos programados, mas que agora está melhorando na gestão do presidente da FPF, Evandro Carvalho.

"O Evandro está demonstrando uma preocupação pessoal com as divisões de base e está programando torneios para o ano inteiro, o que é louvável. Agora, por exemplo, os clubes da capital vão poder disputar a Série A2 do Pernambucano com o time de juniores, sem brigar por acesso. Isso será maravilhoso para dar condição de jogo para os atletas da base, além de visibilidade", disse.

RECADO

Thomaz Pereira terminou a entrevista com um recado para os torcedores corais: "As dificuldades existem, são notórias, mas não impedem o Santa de crescer e fazer um bom trabalho na base. Precisamos apenas do apoio de outros torcedores para melhorar ainda mais o nosso trabalho."

 Fonte: Agência CoralNET de Notícias
http://santacruzdorecife.blogspot.com

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