sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Seu Valdir


SEU VALDIR

“Eu já nasci tricolor. É uma paixão que não sei explicar, apenas aconteceu”. A declaração é de Valdir Oliveira Lins, 62 anos, que ao falar do Santa Cruz seus olhos brilham de tanto orgulho que sente pelo clube do coração. Seu Valdir faz parte da nação composta por milhares de tricolores apaixonados. São pessoas que amam o clube incondicionalmente. Sofrem as derrotas do time, mas, sobretudo, são fortes o suficiente para “carregá-lo nas costas”. Hoje, o Santa Cruz comemora 100 anos de glória no futebol nacional. Um século de história contada por crises, derrotas, vitórias e títulos. Uma história que, acima de tudo, sempre foi e sempre será protagonizada pelo maior patrimônio coral, o torcedor.
Seu Valdir é louco pelo Santa. Tem uma coleção com mais de 80 camisas nas cores vermelho, preto e branco. Não sabe e não quer usar outro tipo de vestimenta. “A exceção é quando vou a um velório ou enterro, aí visto uma camisa preta”, contou o torcedor, que reúne outros itens corais como bandeiras, sandálias e até cuecas. Morador de Rio Doce, em Olinda, seu Valdir é proprietário do Bar Tricolor, um estabelecimento todo pintado com as cores do Santa Cruz. Por conta da excentricidade, o local chama a atenção e atrai a clientela da vizinhança. “As pessoas vêm para conversar sobre futebol, discutir sobre o Santinha. Adoram o ambiente e eu faço de tudo para mantê-lo bonito. Todo ano faço uma decoração diferente, mas sempre com as mesmas cores”, contou.
Como todo torcedor que se preze, seu Valdir não perde um jogo no Arruda. Frequentador assíduo do estádio José do Rego Maciel, ele já presenciou muitos momentos históricos do clube: a construção do Arruda, o pentacampeonato de 1973 e os acessos à Série A em 1999 e 2005. “Isso porque eu estou puxando passado. Tenho muitos outros fatos para contar”, pontuou. Das tantas histórias guardadas na lembrança, seu Valdir confessa que jamais esquecerá o futebol de Ramon, artilheiro do Santa Cruz em 1973. “Quando ele entrava em campo não tinha pra ninguém. Era um espetáculo jogando”, observou o comerciante sobre o ídolo do passado.


Publicado no Jornal do Commercio, Recife, 03/02/2014

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