terça-feira, 22 de abril de 2014

Um tricolor arretado


UM TRICOLOR ARRETADO

Clóvis Campêlo

Essa história quem me contou foi a amiga Irani Paiva e serve para mostrar como a paixão do povo brasileiro pelo futebol transcende a lógica da razão para cair no passionalismo desenfreado.
Irani é síndica do prédio onde mora, no bairro da Tamarineira, no Recife. Entre os zeladores do prédio, está "seu" Clodoaldo, torcedor fanático do Santa Cruz e figura respeitada e respeitável.
Pois bem. Quando da final do campeonato pernambucano de 2006, disputada entre o Santa Cruz e o Sport, "seu" Clodoaldo fez uma aposta com um dos vizinhos do bairro onde mora, torcedor do Sport, ficando acertado entre eles que o perdedor seria obrigado a passar uma hora na esquina da rua vestido com a camisa do time adversário ou vestido com roupas de mulher para que todos os transeuntes o vissem naquela situação vexatória.
Acontecido o jogo final, com a vitória do Sport nos penaltes e a consequente conquista do campeonato, para surpresa de todos e "maculando" a sua imagem de homem respeitado e respeitável, "seu" Clodoaldo preferiu vestir-se de baiana e se expor às gozações dos amigos e do "inimigo" do que vestir a camisa do time adversário.
O amor ao seu clube de coração prevaleceu e ele não cedeu à "humilhação" de vestir a camisa rubro-negra.
Pra mim, não resta a menor dúvida: "seu" Clodoaldo é um tricolor arretado!


Um comentário:

Urariano Mota disse...

Eu sou rubronegro, mas o registro é bom.