sábado, 27 de dezembro de 2014

O tamanho do buraco


O TAMANHO DO BURACO

Emanuel Leite Jr

Fruto de más gestões e políticas de contratações perdulárias, as dívidas trabalhistas dos clubes são uma consequência nefasta para a saúde financeira dos clubes. Os três grandes do Recife sofreram e ainda sofrem com ações na Justiça do Trabalho que comprometem parte significativa de seus orçamentos. O Sport, entretanto, caminha para ser exceção. O rubro-negro tem uma dívida de R$ 5,8 milhões, que deve ser sanada em breve. Ao passo que Náutico e Santa Cruz têm que gerir um pesado passivo: R$ 23,4 milhões dos alvirrubros, R$ 46,5 milhões dos tricolores. Essas são as dívidas junto à 12ª Vara da Justiça do Trabalho.
Desde julho de 2003, a 12ª Vara do Trabalho do Recife se tornou o responsável pela concentração das execuções dos processos contra os três clubes da capital. Ou seja: as ações correm normalmente em todas as varas trabalhistas e quando não há mais o que ser discutido, vão para a 12ª, a fim de se fazer o acordo para o pagamento. Para isso, 20% das rendas de cada clube são depositadas em uma conta, administrada pela vara, que tem o juiz Hugo Melo como responsável.
Desde então, dentre conciliações, quitações e acordos pagos, quase 800 ações foram solucionadas por Náutico, Santa Cruz e Sport. “Dr. Hugo Melo é uma pessoa que contribui muito com o futebol de Pernambuco, pois permite, através da concentração na 12ª vara, o pagamento de receitas mensais que são depositadas em conta específica. Assim, protege-se o patrimônio dos clubes, principalmente de Náutico e Santa Cruz”, faz questão de enaltecer Gustavo Ventura, jurista e vice-presidente de futebol alvirrubro.
Não é por acaso que Ventura elogia a atitude do magistrado. Mesmo tendo solucionado mais de 300 processos, o Náutico ainda tem outros 118 na 12ª Vara, que somam um débito de R$ 23.470.086,84. “Esse quadro do nosso passivo trabalhista é antigo, vem de décadas. Todos os gestores, ao longo de suas administrações, vêm pagando. E não é diferente conosco. Só neste ano pagamos em torno de R$ 3 milhões”, esclarece Ventura.

SANTA CRUZ

Com uma dívida que corresponde a praticamente o dobro da alvirrubra (R$ 46.547.786,03), o Santa tem cumprido com os acordos firmados. Além disso, de acordo com Eduardo Lopes, advogado do tricolor, desde o primeiro dia da gestão de Antônio Luiz Neto o clube tem procurado estancar as dívidas. “Antes dele, quando alguém era desligado do clube se mandava procurar o direitos na Justiça. Nós tentamos fazer acordos, evitando novas ações”, explicou.
Prudente, Eduardo Lopes evita falar em período para que a dívida coral seja sanada. “O pagamento é de 20% sobre a receita do clube. Quanto mais o clube arrecadar, mais esse montante aumenta, ou seja, mais dinheiro vai para a 12ª vara. Hoje, em média, recolhemos R$ 250 mil por mês”, informa. “Por isso, não posso dar um prazo para extinguirmos esse passivo trabalhista. Vai depender da nossa arrecadação”, conclui.

Fonte: Diário de Pernambuco, 20/12/2014

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