sábado, 31 de janeiro de 2015

Em 1976, foi assim...



EM 1976, FOI ASSIM...

O ano era 1976, e o campeonato pernambucano daquele ano, apresentava nas cinco primeiras rodadas um Sport avassalador que em cinco jogos aplicou 4 goleadas e ainda de quebra venceu o clássico contra o Náutico. Tinham o melhor ataque com 22 gols e a defesa estava invicta. Era um time recheado de craques (Toinho, Luciano Veloso, Amilton Rocha, Djalma, Assis e o astro principal Dario), uma forte equipe que buscava o bicampeonato. O ânimo tomava conta da torcida rubro-negra e também de seus atletas, que começavam a ver um Sport poderoso e imbatível.
Agora as atenções estavam todas voltadas para o clássico no Arruda contra o Santa Cruz, que nas cinco primeiras rodadas ganhou três e empatou duas, sendo 1 desses empates contra o América no Arruda. O time coral já não contava mais com Ramon, negociado com o Vasco, o novo ataque coral estava agora formado por Nunes e o garoto Volnei.
As vésperas do clássico chovia muito no Recife, o folclórico Dario resolveu incendiar o clima da partida, e mandou um recado para os corais, dizendo que faria o gol Gota d´água. Do lado coral, Volnei prometia acabar com a invencibilidade do goleiro Toinho, que já durava mais de 450 minutos.
Domingo, 28 de março de 1976, chega o grande dia, o Arruda estava lotado, bons tempos aqueles, em que as Torcidas Organizadas iam para os estádios apenas para torcer pelos seus times.
O jogo tem início, e o time coral parte com tudo para cima do Sport que manda a bola pela linha de fundo. Na cobrança do escanteio, Assis falha ao tentar recuar para Toinho, a bola sobra para Nunes que manda um balaço para o fundo das redes, a invencibilidade do gol rubro-negro tinha fim logo no início do jogo, foi um delírio só no estádio.
O gol no primeiro minuto abalou os rubro-negros, o Santa Cruz pressionava, e aos 15 minutos, numa estocada de Betinho a bola vai para Volnei que manda uma sapatada na saída de Toinho, a bola estufa a rede, o estádio mais uma vez delira, era o segundo gol tricolor, o poderoso Sport estava perdido em campo.
O primeiro tempo termina com o placar de 2 a 0, favorável ao Santa Cruz.
Na volta para o segundo tempo a torcida rubro-negra acredita numa virada, e incentiva o time da ilha, mas a defesa do Santa Cruz se mantém firme e segue afastando tudo.
Até que aos 27 minutos, Carlos Alberto Rodrigues chuta e o zagueiro do Sport Silveira se atrapalha, a bola bate em sua cabeça e vai para o gol, era o terceiro gol, a torcida rubro-negra começa a deixar o Arruda, não havia mais chances de uma reação.
Desesperado e procurando a todo custo fazer o gol de honra, o Sport se perdia mais em campo, aos 38 minutos, mais uma vez Betinho serve uma bola com sensacional para Volnei que sem piedade na saída de Toinho marcava o quarto gol, a festa no Arruda era esplêndida.
E quando todos achavam que o placar estava sacramentado, no apagar das luzes, aos 45 minutos, Nunes entra na área e manda uma bomba, a bola bate na trave, e na volta, mais uma vez Volnei completa para o gol, e dava números finais ao placar. Santa Cruz 5 x 0 Sport.
Esta goleada não é a maior na história do Clássico das Multidões (a maior aconteceu em 1934, Santa Cruz 7 x 0 Sport), mas é com certeza a mais relembrada e comemorada pelos tricolores, teve um gosto especial, pois colocaram abaixo toda a arrogância e prepotência de um time que juntamente com sua torcida, menosprezaram e cantaram vitórias durante a semana toda, o poderoso e imbatível Sport, como era chamado.
Volnei não conseguiu cumprir sua promessa de tirar a invencibilidade de Toinho, e nem Dario fez seu gol Gota d´água, o que se viu na verdade foi uma Tromba d´água tricolor para cima do Sport.

SANTA CRUZ: Picasso (Gilberto), Carlos Alberto Barbosa, Alfredo Santos (Lima), Levir, Pedrinho, Givanildo, Carlos Alberto Rodrigues, Betinho, Volnei, Nunes e Santos.

SPORT: Toinho, Marcos, Silveira, Djalma, Cláudio, Luciano Veloso, Assis, Amilton Rocha, Dario, Miltão e Lima

Juiz: Sebastião Rufino. Público: 36 939

Fonte: Torcida Coral Jampa

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