domingo, 18 de janeiro de 2015

Precaução


PRECAUÇÃO

Rômulo Alcoforado

O meia Pedro Castro chegou ao Arruda, vestiu uniforme de treino e deu voltas no gramado do estádio antes de assinar contrato. O lateral-direito Moisés e o meia João Paulo, também seguiram o procedimento. O que pode ser encarado como uma temeridade da diretoria do Santa Cruz é, na verdade, o oposto: a demora para concretizar negociações é auto-proteção. Os corais só estão fechando com jogadores – principalmente os emprestados de outras equipes- com cláusulas que impedem que eles deixem o clube antes do fim do contrato.
O receio dos dirigentes é fruto da experiência negativa do ano passado com o meia Carlos Alberto. O empréstimo que o Santa Cruz fez com o atleta deixava uma brecha para que o clube de origem – o Atlético Paranaense- o chamasse de volta quando bem entendesse. A cláusula foi exercida na 22ª rodada da Série B. O meio-campista deixou o Tricolor quando vivia bom momento – o que prejudicou as intenções pernambucanas de acesso para a primeira divisão. “O Atlético estava mal na competição naquele momento, trocou de treinador e achou que Carlos Alberto poderia ajudar lá. O resultado foi que ele nem jogou aqui, nem lá, porque foi pouco aproveitado”, explicou o gerente de futebol do Santa, Ataíde Macedo.
A fim de evitar que novos episódios como esses aconteçam, o Santa Cruz só tem assinado contratos com a garantia de que eles serão cumpridos até o final. Ou que, se não forem, o clube receba uma compensação financeira pela quebra do acordo. Daí a demora para oficializar as contratações de Pedro Castro, Moisés e João Paulo, por exemplo. E até de anunciar outros nomes. O departamento de futebol tem de negociar com dirigentes de outras equipes e empresários para adicionar a cláusula que evita que eles deixem o Arruda a custo zero. “Isso parece uma besteira, mas às vezes acaba atrasando uma contratação”, diz Constantino Júnior, diretor de futebol tricolor.
Os cartolas do Santa Cruz garantem que os atletas que chegaram até o momento estão “blindados” desse tipo de assédio. ““Para evitar o que aconteceu no passado, com Carlos Alberto, todos os jogadores que estão chegando estão tendo essas cláusulas no contrato. Ele só vai poder ser liberado após o término do vínculo conosco. O clube não vai mais liberar jogador em meio de competição”, garantiu Ataíde.

Fonte: Folha de Pernambuco, Blog de Primeira, Recife, 17/01/2015

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