domingo, 15 de fevereiro de 2015

Base vencedora vai deixando o Arruda


BASE VENCEDORA VAI DEIXANDO O ARRUDA

Fernando Barros

O ano de 2011 ficará marcado para sempre na história do Santa Cruz. Pudera, afinal, foi nessa temporada que o clube, então afundado no abismo do futebol nacional – leia-se Série D – ressurgiu das cinzas, conquistou o Campeonato Pernambucano e retornou à Série C. Nos dois anos seguintes, mais dois estaduais e um novo acesso de divisão na conta. Dentre os tantos heróis desse período, cinco deles eram considerados especiais. Tudo porque Gilberto (atacante), Natan (meia), Memo (volante), Renatinho (lateral-esquerdo/meia) e Everton Sena (zagueiro) foram revelados no clube. Hoje, quatro anos depois, o êxodo dos destaques mostrou-se inevitável, por diferentes motivos. Com a saída de Everton Sena, confirmada no meio desta semana, apenas Renatinho resiste, como a fagulha solitária de uma das gerações mais vitoriosas do Tricolor.
Ex-jogador, dirigente, treinador, e atual coordenador técnico da Cobra Coral, Sandro Barbosa lembra com carinho da safra formada no clube que reinou por três anos no futebol pernambucano. “Esses meninos foram o resgate do Santa Cruz. Nenhum jogador do clube, nos últimos 20 anos, ganhou tantos títulos quanto esses meninos ganharam. Eu ,que trabalhei com eles, diretamente, sei o quanto eles foram importante”, exaltou o ex-zagueiro. Verdade que nem todos foram titulares absolutos nos últimos anos. Gilberto estourou cedo e saiu logo em 2011. Natan viveu às voltas com lesões e tentará se recuperar delas agora no Criciúma. Memo deixou o clube com moral, para a Ponte Preta, em 2012, mas não repetiu o bom futebol de antes quando retornou, em 2014. Já Renatinho e Everton Sena alternaram entre momentos no banco e outros de inegável heroísmo, sobretudo em 2011.
Mesmo assim, na visão de Sandro, esses jogadores não gozam de muito prestígio pelas bandas do Arruda. “Infelizmente, eles não são reconhecidos da maneira que deveriam. Não só a torcida, mas a própria imprensa e até mesmo gente que frequenta o clube desvalorizam esses jogadores. Só os dirigentes que os valorizaram”, ressaltou. Para o coordenador técnico, pratas da casa do atual elenco podem ter sucesso semelhante, apesar de relembrar que a geração anterior conseguiu feitos inimagináveis. “Eu vejo Raniel, Walter Guimarães, Williams e Wellington César, além de outros, com muita personalidade. Eles têm um potencial muito grande. Mas aquela geração pegou o clube numa situação diferente”, ressaltou. “Em termos de personalidade, entrega e amor ao clube, iguais àqueles meninos, não vão existir mais no Santa Cruz”, sentenciou.

Fonte: Blog de Primeira, Folha de PE, Recife, 14/02/2015

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