terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O culpado



O CULPADO
 
Clóvis Campêlo

Sinceramente amigos corais, não acho que o goleiro Bruno tenha tido culpa direta na derrota do Santa Cruz para o Salgueiro, sábado passo, no Estádio do Arruda. Aliás, pelo que tenho escutado nas rádios do Recife, a crônica especializada tem emitido opiniões que batem com a minha. Mas, convenhamos, um goleiro que toma oito gols em quatro jogos - uma média altíssima de dois gols por partida para um clube da dimensão do Santa Cruz – precisa ser repensado. Até mesmo para ser preservado diante de uma torcida que começa a dividir com ele a culpa pelo início desastroso do time no Campeonato Pernambucano de 2015.
Mas, o grande acusado pelo desastre, na opinião do torcedor coral, é o treinador Ricardinho. Até agora, a nossa equipe não definiu um padrão de jogo convincente, marcando apenas duas vezes nesses quatro jogos, numa média baixíssima de 0,5 gol por partida. Ou seja, um time que leva muitos gols e não faz nenhum (ou faz poucos), só merece perder.
Para quem gosta de números e for observar o desempenho de Ricardinho à frente do Paraná Clube, sua equipe anterior como treinador, vai verificar que, em dezessete jogos, ganhou seis, empatou 7 e perdeu quatro, numa média de 35,29% de aproveitamento. No Santa Cruz, ele conseguiu se superar.
Uma outra coisa que nos intriga, é que montamos uma equipe com uma folha salarial superior à do ano passado e com um nível técnico bem menor. Como se explica isso?
Queira Deus que o Santinha não esteja aqui a repetir a derrocada de 2005, quando, de queda em queda, fomos parar na Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol.
Observamos que no Campeonato Pernambucano atual não existe nenhuma equipe disparadamente superior. O time da Ilha assim se mostra por conta da estrutura mantida desde o ano anterior e por conta de uma melhor disponibilidade financeira para contratar. O restante - Náutico, Central, Salgueiro e Serra Talhada – são equipes medianas. Não tem cabimento que numa competição desse porte, o Santa Cruz seja o lanterna, ostentando o pior ataque e uma das defesas mais vazadas. Onde foi que falhamos?
Ao assumir o comando coral, aclamado sem opositor, Alírio Moraes prometeu mundos e fundos em termos de realização e projetos, chegando mesmo a ser chamado de Delírio Moraes por conta das suas propostas mirabolantes e nefelibatas. Confiante, a torcida acreditou, achando que a derrocada do ano passado talvez se devesse a uma questão momentânea e passageira.
Agora, todos nós achamos que o momento é de apreensão e mudanças violentas, antes que a vaca vá definitivamente para o brejo e a Cobra Coral se veja, mais um ano, submetida a situações de vexames e humilhações.
Já foi grande o nosso prejuízo no ano decepcionante do centenário coral. Perdemos o Estadual e o direito de disputar competições importantes como a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil. Não podemos permitir que, este ano, a situação se repita.
Ninguém merece.
 

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