quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Mirobaldo no Santa Cruz


MIROBALDO NO SANTA CRUZ

Paulo Moraes

Tará, Lacraia, Luciano, Veloso, Ramon, Aldemar, Lauro, Nunes, Detinho, Gilberto, Aníbal, Fernando Santana, Gena, Pedrinho Nepomuceno, Givanildo, Rudimar, Zequinha, Lanzoninho, Zé do Carmo, Zito, Mazinho, exemplos de ídolos entre tantos outros do Santa Cruz aclamados depois de defesas, de marcações, de gols. Mas pelo que sei, nenhum deles, antes de vestir a amada camisa tricolor. Agora, teve um que foi ídolo antes de pisar no gramado sagrado do Estádio do Arruda. Ele, Mirobaldo, como relato agora numa coluna recuperada da Revista Clássico.Com., publicada em 2012. Por favor, leia, ficarei feliz:
"Uma simples brincadeira na redação virou manchete no Jornal do Commercio para anunciar a contratação do atacante sergipano Mirobaldo. Foi no ano de 1969, quando o tricolor, depois de nove anos sem pegar na taça de campeão, conquistou o título estadual e iniciou a caminhada do Penta. Não lembro bem quem foi o autor da frase, sei que a manchete ganhou às ruas no boca a boca dos torcedores. Em qualquer bar, esquina, no Recife inteiro, nos dias quem antecederam a chegada do jogador não se falava em outra coisa: Mirobaldo vem aí.
No desembarque de Mirobaldo, no Aeroporto dos Guararapes, uma multidão foi recepcionar o novo atacante do Santa. Ele chegava bem recomendado pela história de dois jogadores que passaram pelo Arruda antes. O atacante Nílson e o meia Debinha, que se não foram brilhantes, não decepcionaram.
Miró, como passou a ser chamado pelos tricolores, veio com fama pelo chute forte, pelas cabeçadas, pelos gols que emocionaram os sergipanos. No primeiro ano que vestiu a camisa coral, ele, se não foi titular em todos os jogos, participou de muitos deles. Fez 13 jogos e marcou nove gols, mas bem menos que o artilheiro do campeonato, o eterno ídolo do Santa, Fernando Santana, que balançou a rede 23 vezes.
Mirobaldo foi ídolo antes mesmo de pisar no gramado do Arruda, fato raro no futebol, mas n ano seguinte, foi perdendo espaço no ataque tricolor, por uma das novas revelações do time, Ramon, outro inesquecível ídolo da massa coral. Só entrou de frente na equipe por três vezes, substituído numa delas. Ganhou chances no decorrer de outros três jogos. Daí em diante, já não se gritava mais com força o nome do atacante que ainda disputou alguns minutos de um jogo do campeonato de 1971, na vitória sobre o Ferroviário , por dois a zero, quando ocupou o lugar de Ramon., Depois seguiu carreira no futebol de Portugal. Lá defendeu quatro clubes: Farense, Vitória de Setúbal, Portimonense e Olhanense. Marcou perto de 100 gols por lá
Mirobaldo perdeu a condição de ídolo, mas quem acompanhou futebol nos anos sessenta, não há de esquecer a criatividade e o golpe de sorte do Jornal do Commercio ao anunciar que "Mirobaldo vem Aí", frase inesquecível pra divulgar um reforço de fama para o nosso Estado. Como repórter do JC e da Radio Jornal, convivi com Mirobaldo Bastos Correia. Era boa , era boa praça, eu gostava dele. Casou-se com uma portuguesa e se tornou em cidadão luso.
Saudade, saudade do personagem Mirobaldo que agitou por pelo menos uma semana, a fanática torcida tricolor. Saudade também , claro, claro,da manchete "Mirobaldo vem Aí".
abraços....

Fonte: Globo Esporte

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