sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Martelotte abre o jogo


MARTELLOTE ABRE O JOGO

Daniel Lima

Um dia depois de ser demitido do Santa Cruz, o técnico Marcelo Martelotte concedeu uma entrevista coletiva – realizada em um hotel no bairro do Pina, no Recife, na manhã desta quinta-feira (16) – para esclarecer a real situação e dar detalhes sobre a sua saída. Pego de surpresa com o desligamento, ele achou injusta a forma como a diretoria o tirou do cargo e até sentiu uma falta de profissionalismo por parte do clube.
Sereno, o ex-treinador coral abriu o jogo e expôs mais uma vez a dura realidade no Arruda. Reforçou que a situação é crítica e que o caos tomou conta há tempo. O profissional saiu em defesa dos jogadores do elenco e criticou a gestão. Sobre o seu futuro, Martelotte deixou em aberto, mas não descartou voltar em 2018. Porém, disse que uma negociação depende da eleição presidencial, marcada para o dia 5 de dezembro. Apesar de tantos problemas que tentou gerir em mais de dois meses de trabalho e do rebaixamento à Série C, ele tirou lições em sua terceira passagem no comando.
A reportagem da Folha de Pernambuco selecionou trechos do papo de Marcelo Martelotte com a imprensa.

SURPRESA


"Fiquei surpreso com a saída porque faltam poucos dias para o fim da participação do Santa na Série B. Eu não esperava que tomassem essa decisão nesse momento. É difícil entender os motivos da demissão. Estava preparado para cumprir (meu contrato) até o final, mas no futebol estamos acostumados com esses problemas e tipos de situações”, desabafou.

INJUSTIÇA
 

“Para um time rebaixado, era mais fácil utilizar o resultado (para demitir), algo totalmente natural no Brasil. Quando se procura outros motivos e aspectos, as coisas ficam mais difíceis. Era muito difícil não defender os jogadores por tudo que vem acontecendo. A situação da diretoria é insustentável e indefensável”, declarou.

GESTÃO
 

“Alguns aspectos dessa direção deixam a desejar. Mas se for pensar no futuro tem eleição no fim do ano. Espero que uma nova gestão toque o Santa Cruz. Com relação aos últimos três anos, faltou administração. Em 2015, conquistamos o acesso à Série A e ali tínhamos uma grande possibilidade de organizar o clube, se reestruturando e se preparando melhor. Dois anos depois, desce para a Série C e numa situação pior da que nos encontrávamos antes. Esse cenário desenha e mostra o quanto foi desastroso”, criticou.

ELENCO
 

“O grupo era excelente. Criei relações com os jogadores e sabia das dificuldades quando cheguei. A primeira coisa que falei para os atletas era que eles tinham o direito de rescindir o contrato e ir para casa. Mas quem ficasse tinha que brigar até o fim. E eles entenderam (a mensagem). Tivemos a saída de alguns (atletas) porque a situação era extrema. Quem ficou aqui lutou e se empenhou dentro de campo, até chegar ao limite. Realmente é muito triste”, lamentou.

REALIDADE
 

“Está pior que no ano passado. Não estava aqui no fim da temporada passada, mas o cenário é parecido com o atual. Não evoluímos em nada. A dificuldade é muito grande. É uma situação que entristece bastante e a gente espera que seja modificada”, revelou.

SALÁRIOS
 

“Tivemos uma resposta dos atletas mesmo com tantos problemas. No momento em que conseguimos uma certa ‘tranquilidade’, a direção não aproveitou. A gente teve uma hora de equilíbrio, inclusive só pensamos em treinos e nos jogos. Mas sabíamos que tinha uma prazo de validade e uma horta a bomba iria estourar. Tínhamos consciência dessa perspectiva e esses problemas de hoje não melhoraram em nenhum sentido”, disparou.

FUTURO
 

“Sempre aceitei conversar com diretores, até porque sempre coloco o clube acima de qualquer dirigente. Já trabalhei aqui duas vezes como atleta e três como técnico. Conheço a grande maioria dos dirigentes e a história do Santa Cruz. Não me recusaria nunca a conversar e espero que a eleição seja bem conduzida para o melhor do clube”, afirmou.

APRENDIZADO
 

“Rebaixamento ninguém põe no currículo, mas fica a experiência. Temos que tirar proveito dos insucessos também. Serviu como aprendizado apesar de o resultado não ter vindo. Vou levar alguns aspectos positivos para a sequência da minha carreira. Fica pra mim a experiência de viver uma situação de dificuldade”, encerrou.

Fonte: Folha de Pernambuco, 16/11/2017

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