terça-feira, 21 de novembro de 2017

Símbolo da consciência negra

 Fotografia de Ed Machado / Folha de PE

SÍMBOLO DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Daniel Lima
Um dos símbolos da Consciência Negra, comemorada neste 20 de novembro em referência ao dia da morte do líder negro Zumbi dos Palmares, Grafite luta desde jovem contra o racismo. A vasta experiência no futebol lhe deu ensinamentos e o transformou em um cidadão. Para o atacante, o debate sobre o preconceito no Brasil está atrasado comparado aos países europeus. Sua vivência de oito anos pelo mundo afora – França, Alemanha, Emirados Árabes e Catar – o fez construir uma opinião em relação à desigualdade.
“Sempre bati na tecla que o engajamento contra o racismo em nosso país é muito pouco. Vivi seis anos na Europa e as campanhas são constantes lá. Lembro que fazíamos isso do mês de maio até agosto. Eram fotos, propagandas e ainda entrávamos nos jogos com panfletos, camisetas, cartazes e faixas”, declarou o camisa 23 em entrevista concedida à reportagem da Folha de Pernambuco.
Em sua extensa carreira, o ídolo da torcida do Santa Cruz já foi vítima de racismo quando defendia o São Paulo, em 2005, na Libertadores da América. Na ocasião, foi ofendido dentro de campo pelo argentino Desábato, que jogava no Quilmes e chegou a ser denunciado à época. O caso de Grafite não foi único, inclusive ele percebeu que os brasileiros só se sensibilizam quando acontecem episódios mais graves.
“No Brasil só falam em racismo nas datas especiais ou depois que ocorrem ofensas como a minha há 12 anos. O mesmo já aconteceu com Tinga, Elias e Aranha. Aqui é tudo momentâneo. Nossa sociedade tem memória curta e se esquece dos fatos muito rápido”, lamentou.
O atacante de 38 anos ainda afirmou que todas as pessoas deveriam receber o mesmo tratamento e disse que a educação é o caminho para combater a discriminação racial. “Sei que é difícil essa questão da etnia, mas o ser humano não nasce odiando ninguém por conta da cor de pele, religião e nacionalidade. Não poderia existir racismo por nada nesse mundo, porém depende muito da educação das pessoas. Vai de cada um e cabe a nós lutar contra o preconceito no nosso dia a dia”, pontuou.


Fonte: Folha de Pernambuco, 20/11/2017

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