sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Com carisma e talento, grandes ídolos fizeram história no Santa Cruz


COM CARISMA E TALENTO, GRANDES ÍDOLOS FIZERAM HISTÓRIA NO SANTA CRUZ

Roger Casé

O futebol se faz com grandes personagens. E ao longo dos cem anos de história do Santa Cruz apareceram vários. O mais recente surgiu de uma fórmula matemática: Carisma mais gols decisivos, igual a sucesso. Flávio Caça-Rato, o mais novo xodó tricolor, segue os passos de grandes ídolos do passado. O primeiro deles, foi um dos fundadores do clube: Teófilo Batista de Souza, o Lacraia, que chamou atenção por ser diferente: Era negro. O primeiro a ser aceito em um clube de futebol no estado.
Após Lacraia, outro ídolo de pele escura: Sebastião. Por causa do racismo que dominava o esporte, teve que ser convencido a jogar futebol por Ilo Justi, então goleiro do Santa Cruz, e que depois se tornaria técnico do time.
Entre as décadas de 30 e 40, o Santa Cruz teve um jogador considerado por muitos tricolores o maior da história do clube: Tará.
- Foi um grande jogador. Tinha muita velocidade, uma impetuosidade muito grande, tinha uma impulsão enorme – explica o ex-presidente Rodolfo Aguiar.
Nos anos seguintes, os craques se multiplicavam. Em 1957, Lanzoninho, Aníbal e Aldemar, meio-campo que depois se transferiu para o Palmeiras e chegou à seleção brasileira. Em 1959, o ídolo era Inaldo Amorim Silva Maia, o Mainha.
- Eu não sei se eu virei ídolo, mas eu sei que o pessoal gosta de mim – fala, orgulhoso, Mainha, ainda lembrado pelos tricolores da antiga geração.
A torcida gostou mais ainda do pentacampeonato estadual de sessenta e nove a setenta e três. Na época, o Capitão era Givanildo. Ídolo reconhecido pela torcida e por ele mesmo:
Nessa mesma época jogava no meio-campo do Santa Cruz, Luciano, conhecido como “a maravilha do Arruda”. Era o Cérebro da equipe e também o homem das bolas paradas.
- Os próprios colegas dizem que eu só fazia gol de falta e de pênalti. E eu pergunto a eles: “Por que vocês não iam cobrar?” – brinca Luciano Veloso.
Um dos maiores ídolos do Tricolor nasceu na Zona da Mata, na usina Trapiche, município de Serinhaem. Ramon chegou ao Santa Cruz aos 17 anos, em agosto de 1967 e seis anos depois se sagraria artilheiro do Campeonato Brasileiro. Mas o jogo inesquecível de Ramon, aconteceu um pouco antes do Brasileirão histórico.
- O jogo contra o Sport, na decisão do pentacampeonato, nós vencemos por dois a zero, com dois gols de Ramon – conta o orgulhoso artilheiro.
Na cola de Ramon, havia outro goleador fabuloso: Nunes. Mas ele demorou a aparecer. Era o terceiro reserva. Com a saída de Ramon e do substituto imediato, Volney, ele apareceu.
- Se todo centroavante se comportasse na área, combatendo como ele combatia, não deixando os zagueiros saírem com a bola, e tivesse a facilidade de visão de gol, o futebol seria muito melhor - divaga Dirceu Paiva, historiador do Santa Cruz.
O ataque tricolor também contava com Fernando Santana. Participou dos cinco títulos estaduais seguidos. Depois do quinto troféu o baque.
- Fui dispensado do Santa Cruz. Foi a paixão mais doída do meu coração, ter saído desse jeito, dessa forma – lamenta o ex-jogador tricolor.
Assim o time do penta foi se desmanchando e uma nova era começou. Na década de 80, tudo muito colorido, extravagante. Irreverência era uma boa maneira de chamar atenção. Dentro de campo, Zé do Carmo usou essa estratégia, aliada ao bom futebol.
Ricardo Rocha seguiu a mesma linha despojada. Mas quando o juiz apitava, o zagueiro mudava. Ficava brabo. Jogou no Santa Cruz no início da carreira, de 1983 até o ano seguinte. Pouco tempo, mas o suficiente para ficar marcado. Tanto que foi escolhido como o embaixador dos cem anos do Santa Cruz.
O também pernambucano Rivaldo, melhor jogador do mundo em 1999, começou no Santa , mas ainda hoje existe a discussão se Rivaldo pode ser considerado ídolo no Arruda.
- Rivaldo não chegou a jogar, quase. Não era benquisto, não foi muito apoiado. Ele talvez tenha saído com alguma mágoa do time. Ele jogou pouco no Santa Cruz. Foi fazer a vida mesmo. A torcida não aceita e eu faço parte desse time - confessa Dirceu Paiva.
Mas há quem discorde. O ex-presidente João Caixero faz parte do grupo que considera Rivaldo como um ídolo tricolor.
- Sempre nos reportamos a Rivaldo como uma criança que nasceu no Santa Cruz, projetou-se no Santa Cruz e ganhou o mundo mas sempre com amor no coração.
Esse debate também cabe a um baixinho invocado, que defendeu os três maiores clubes do estado. Carlinhos Bala também é considerado por muitos, um ídolo do Santa Cruz.
- Carlinhos Bala, sempre gracioso, sempre brincalhão, sempre alegre e ele levou aquela alegria no futebol e deu muitas alegrias, muitas vitórias ao Santa Cruz – defende João Caixero.
Vitórias e alegrias também foram proporcionadas pelo goleador Dênis Marques, pelo goleiro paredão Thiago Cardoso, pelo jeitão de Flávio Caça-Rato que não é craque, mas tornou-se ídolo por ser igual ao povo. Esforçado, iluminado, Santa Cruz de corpo e alma.

Fonte: Globo Esporte, 03/02/2014

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