sábado, 27 de janeiro de 2018

Chico Science e a Taça que tem o seu nome



CHICO SCIENCE E A TAÇA QUE TEM O SEU NOME

Leandro Stein


O Santa Cruz se caracterizou como um clube de massa. O Time do Povo, como os próprios tricolores gostam de frisar. O Estádio do Arruda ajudou a reforçar essa imagem, com o “mundão” de suas arquibancadas. Assim, parece até natural a identificação de Chico Science como mais um torcedor coral. O homem que encabeçou uma revolução musical em Pernambuco durante os anos 1990 também ajudava a dar voz à massa. Entre o caos e a lama, a miséria e a luta para enfrentá-la eram temas recorrentes em suas letras com a Nação Zumbi. Um craque da poesia cantada, que completaria 50 anos neste domingo, se ainda estivesse vivo.
Nascido em Olinda, Chico nutriu sua paixão pelo Santa Cruz desde cedo. Pôde acompanhar anos áureos durante a adolescência, com o time multicampeão estadual e semifinalista do Brasileiro nos anos 1970. E, segundo os relatos, era fanático, como manda a cartilha. Seu apreço por futebol, aliás, ia além. O músico também gostava de bater sua bola. A ponto de, junto com a Nação, formar um time para disputar uma pelada na Alemanha em 1995, durante turnê. “Levamos de 8×5. Nosso problema foi falta de resistência”, contou à revista Placar, na época. O Santa dominava a preferência da banda– embora Jorge du Peixe, seu substituto no vocal, seja maluco pelo sofrido Íbis.
A música perdeu Chico Science em 1997. No entanto, o Santa Cruz sabe preservar a memória de seu torcedor. O Troféu Chico Science, disputado desde 2015, é o maior exemplo. E, neste ano, a taça entregue ao campeão foi estilizada com referências ao saudoso tricolor. Além disso, o clube costuma rememorar o fanático em outras ações. Em 2014, quando lançou um álbum de figurinhas para comemorar o seu centenário, o músico era um dos 16 torcedores célebres homenageados com caricaturas.
A influência de Chico na cultura pernambucana, de qualquer forma, vai além das cores do Santa. A ponto de suas canções também ganharem versões entre as torcidas dos outros grandes clubes de Recife, Sport e Náutico. Nada mais natural que as letras, tão emblemáticas sobre a realidade da metrópole, também se misturassem com três enormes símbolos populares. Reescritas em torno do futebol, ganharam outra vez a voz do povo. Preservam o legado que Chico Science deixou a sua nação.


Fonte: Trivela (2016)

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