domingo, 14 de janeiro de 2018

Ídolo no Santa Cruz, Caça-Rato reencontra o Arruda e relembra glórias pelo Tricolor


ÍDOLO NO SANTA CRUZ, CAÇA-RATO REENCONTRA O ARRUDA E RELEMBRA GLÓRIAS PELO TRICOLOR

Diego Borges


Do que é feito um ídolo de um clube de futebol? Gols, títulos, carisma, identificação com a camisa... estes e outros elementos ajudam a fortalecer e até imortalizar a relação de atletas com a torcida em qualquer lugar do mundo. No Santa Cruz, mesmo nem chegando perto dos 599 jogos de Givanildo ou dos 207 gols de Tará, Flávio Caça-Rato só precisou balançar as redes adversárias 13 vezes, em 92 jogos com a camisa tricolor. Mas não foram gols quaisquer, em jogos quaisquer. Predestinado, com estrela, compensou uma técnica limitada com momentos decisivos que jamais sairão da memória dos torcedores que presenciaram.
Flávio Caça-Rato está de volta ao Recife. Vai reencontrar o estádio que guarda grandes recordações pela primeira vez. O atacante concedeu entrevista ao Superesportes, dando detalhes de como aconteceu sua saída do Santa Cruz, relembrou gols importantes e como vai ser assistir a um Clássico das Multidões das arquibancadas. Sem contrato, após o fim do vínculo com o Tupi-MG, o folclórico CR7 traça planos e sonhos para o futuro.

A saída


“Tive uma conversa com o presidente Alírio e com o Tininho. Achei melhor ter saído. Tinha muita cobrança e eu nem vinha jogando muito. A responsabilidade estava muito em cima de mim. Mas fico feliz pelo que fiz pelo Santa Cruz. Não é o fim. Posso voltar um dia. Mas o mais importante é que eu fiz a minha história, com títulos, e deixei o meu nome marcado. É o mais importante.”

Tem mágoas?

“Não tenho porque ficar magoado. Vir de um time do interior e fazer a história que fiz no Santa, não tem como ter mágoa. Foi uma conversa boa e eu também queria jogar outros campeonatos e o presidente e Tininho entenderam. Hoje temos uma amizade boa e não só com a diretoria, mas com o próprio torcedor e os funcionários, todos me recebem muito bem. O importante é isso, é deixar sempre as portas abertas. Mágoa nunca teve e nunca vai ter.”

Caça-Rato contra o Sport

“Contra o Sport, em finais, eu levei a melhor. É um jogo diferente, por conta da rivalidade que é grande e a gente sabe que não pode errar. Quando jogava contra eles, focava bem nisso o que tinha por trás daquele jogo. Em 2012 e 2013 a gente foi campeão e a minha melhor lembrança é fazendo o gol que todo mundo lembra. O corte em Magrão é o que ficou mais marcado. Em 2012 eu dei passe para Denis (Marques) fazer gol, mas 2013 foi mais marcante, sim.”

Parceria com Denis Marques

“A gente fala que não é amigo, a gente é mais como irmão. Continuamos nos falando. É um cara que vou levar pro resto da vida. Parceiro e irmão que aprendi muito. Me ensinou muito, na verdade. Essas amizades assim, você tem que preservar para sempre.”

A melhor lembrança do Arruda

“Foi o acesso, com certeza. Não tem como esquecer. Tinha 70 mil pessoas ou mais naquele dia e, graças a Deus, consegui fazer o gol do acesso. Essa lembrança não vai sair nunca da minha cabeça.”

Do banco para a história

“Quando fui entrar, tava esperando levantar a placar e o Betim empatou. Aí eu pensei ‘Caraca, véi. Faz isso não. Logo agora que eu vou entrar?!” Aí eu só lembro que na hora que ele (Vica) me chamou, falou que eu ia fazer o gol. Fico feliz em ter entrado e ter ajudado. Não só eu, mas o grupo todo. Conseguir o objetivo da gente que era subir. E eu mais ainda que pude fazer o gol. Foi uma coisa que vou levar pro resto da minha vida.”

O que mudou depois da saída de Recife?

“Aprendi muito na vida. Principalmente com meus erros. Você aprende mais com erros e eu aprendi bastante. Hoje estou com outra cabeça e estou muito feliz. O momento que estou vivendo hoje é muito familiar e de buscar a Deus. Comecei a ir para a igreja vai fazer um ano e o meu foco agora é outro. Momentos que perdia com amizades, quero recompensar com a minha família. Estou muito bem, graças a Deus.”

Reencontro com o Arruda

“Não sei como vai ser, mas eu tenho um carinho muito grande pela torcida como eles têm por mim. Espero coisas boas. É a primeira vez desde que saí do Santa Cruz. Eu não gostava nem de assistir aos jogos, mas meu filho pediu pra ir e também é um clássico e tal, por isso eu vou. Creio que vai ser bom sentir o calor da massa coral e vai dar até vontade de entrar em campo. Tomara que dê sorte ao Santa Cruz e que vá pra final.”

Futuro

“Dar continuidade ao trabalho. O primeiro semestre foi muito bom. Consegui meus objetivos lá no Tupi. Fiz gols e penso mesmo em dar continuidade ao trabalho. Focar sempre. Estou feliz com o que estou vivendo hoje. O futuro a Deus pertence e estou buscando, para que aconteçam sempre as coisas boas.”

Sonhos
“Tem muitos ainda a realizar. Se for da vontade de Deus para dar força e sabedoria para ter muitos planos. Coloquei o destino nas mão dele e creio que muitas coisas boas ainda vão acontecer.

Jogar contra o Santa Cruz

“Já pensei nisso. Com certeza, se for da vontade de Deus, vou jogar ainda. É tudo como ele quer. Respeito vai ter sempre, não só com o Santa, mas com todos os clubes. O santa vai ser diferente, porque é um time que me abriu as portas para conseguir os objetivos e ganhar o nome que eu consegui. Tenho muito carinho e respeito e, se um dia jogar contra, jamais vou comemorar. Vai ser legal, mas só não quero que a torcida me xingue, né? É o meu trabalho Pô!”

Fonte: Diario de Pernambuco, 02/5/2017

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