quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ramon, o artilheiro coral


RAMON, O ARTILHEIRO CORAL

Henrique Souza


Na década de 70, o Santa Cruz dominou o cenário do futebol pernambucano e conseguiu chegar à quarta colocação do Campeonato Brasileiro em 1975. Daquele time, vale destacar Ramon, grande artilheiro coral no período, que, devido às atuações pelo tricolor, foi cotado até para vestir a camisa da seleção na Copa de 74.
Natural de Sirinhaém, a cerca de 76 km do Recife, Ramon da Silva Ramos nasceu no dia 12 de março de 1950. Chegou ao Santa Cruz em 1967, para atuar pelos juniores do clube. Em 1969, começou a ser relacionado para o time principal, fazendo parte do grupo campeão pernambucano no mesmo ano, que iniciou uma série de 5 conquistas seguidas no estado.
No ano seguinte, Ramon começou a ter mais espaço, marcando 6 gols no campeonato estadual, incluindo um na decisão do torneio. Em 71 e 72, já é visto como ídolo pelo torcedor tricolor. O atacante, capaz de jogar em várias posições na frente, impressionava pela rapidez, habilidade e oportunismo.
Mas foi em 1973 que ele explodiu para o país. Apesar da modesta 16ª colocação (entre 40 clubes) no Campeonato Brasileiro, o centroavante terminou a competição como artilheiro, com 21 gols, à frente de nomes como Pelé e Leivinha, e foi o primeiro pernambucano a se tornar o goleador máximo do nacional. O feito ganhou ainda mais destaque pelo fato do Santa Cruz não ter se classificado para as fases finais. O pernambucano recebeu ainda uma curiosa honraria do então presidente do Jóquei Clube de Pernambuco, Sadoc Souto Maior. Foi realizado o “Grande Prêmio Ramon”, em homenagem ao atleta.
A artilharia do Brasileirão fez Ramon ser cogitado para a disputa da Copa do Mundo de 74, sendo convocado por Zagallo para a lista com 40 atletas de onde sairiam os escolhidos para representar o Brasil na Alemanha. Porém uma contusão no início do ano fez o jogador ficar afastado por longo tempo dos gramados e perder a chance de ser chamado.
Em 1975, o Santa Cruz, treinado por Paulo Frossad e com nomes como Givanildo Oliveira, Levir Culpi e, claro, Ramon, fez sua melhor campanha na história do Brasileirão, disputando as semifinais e terminando em 4º lugar. Merece destaque a vitória sobre o Flamengo de Zico em pleno Maracanã pelas quartas de final. Ramon marcou 2 gols na vitória por 3 a 1 sobre os cariocas.
Terceiro maior artilheiro na história do Santa Cruz, com 148 gols em 377 jogos, Ramon foi vendido ao Internacional em 1976. Pelos gaúchos, não conseguiu repetir o mesmo sucesso alcançado no tricolor. De volta a Pernambuco ainda no mesmo ano, jogou pelo Sport e mais uma vez não mostrou o mesmo futebol dos tempos de Santa. Do rubro-negro, se transferiu para o Vasco da Gama em 1977 e fez boa dupla de ataque com Roberto Dinamite, atuando pelo clube carioca até 1979. Após sair do Vasco, passou por Goiás (1977-1981), Ceará(1981-1982), São José (1983), Ferroviário (1984) e Brasília, clube pelo qual encerrou a carreira em 1985.
Até hoje, Ramon é citado pelos tricolores como ídolo do clube. Frequentemente, o atacante é eleito para listas de seleções de todos os tempos da equipe. Seja como for, o ex-jogador não somente tem lugar na galeria de heróis do Santa Cruz, mas está marcado como um dos maiores centroavantes da história do futebol pernambucano.


Fonte: Doentes por Futebol

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