quarta-feira, 25 de abril de 2018

Geovani renasce no futebol


GEOVANI RENASCE NO FUTEBOL

Daniel Leal

O Arruda tem sido palco de (mais) um renascimento no futebol. Da carreira promissora à perda da mãe, o meio-campista Geovani pensou em desistir da carreira em 2016. Nos altos e baixos da vida, esteve muito próximo de parar de jogar em definitivo no ano passado. Daquelas histórias que mais parecem roteiro de filme, o atleta hoje com 25 anos foi demovido da ideia por um amigo próximo: Carlinhos Paraíba, ainda muito antes de o volante sequer sonhar em voltar ao clube. “Em um sábado ele me ligou e me perguntou se eu não queria fazer um teste no Santa Cruz. ‘Se apresenta dia 3 (de janeiro), quer ir?’. Eu já tinha dito que não queria mais.”
Mas Geovani foi. E ficou. Após pouco mais de duas semanas de observação, acabou aprovado pelo técnico Júnior Rocha. Assinou contrato até o fim da Série C. O meia daria então uma nova chance a si. Sem nem mesmo ter a ideia de que, ironia do destino, dividiria o meio de campo com o ídolo da vida. “Carlinhos Paraíba é tudo para mim. Um pai, um irmão, um amigo, um empresário”, disse. “Lembro que ele disse: ‘Vai, mas leva a mala, leva tudo que você vai ficar. Eu confio em você’. Conversei com minha esposa e resolvi dar essa chance à minha carreira”, revelou.
Pela primeira vez dividindo o campo ao lado de Carlinhos, Geovani teve uma noite memorável no último domingo. Marcou o primeiro gol da vitória sobre o Atlético-AC. O segundo gol veio justamente de Carlinhos Paraíba. “A gente concentrou junto e eu disse que ele faria um gol. Eu estava mais preocupado em ele fazer um gol do que eu mesmo”, falou o volante. “Eu disse para ele: ‘você não queria jogar comigo? Então chega aí e arrebenta’”, contou Carlinhos Paraíba, satisfeito com a indicação.
Mostrando-se cada vez mais crucial no meio de campo do Santa Cruz e se firmando na equipe titular, Geovani vive hoje o seu melhor momento no Arruda. Após dez partidas e de sofrer para chegar ao condicionamento físico ideal, parece estar no auge e apresentando um futebol que não aparece tão bem desde a base, por onde esteve, entre os 17 e 20 anos, no Sporting, de Portugal, e Hamburgo, Schalcke 04 e Hertha Berlim, da Alemanha.
No currículo como profissional, bem mais modesto, tem passagens por Americano, no ano passado, além de Bonsucesso, Bangu e Ceres, todos no Rio de Janeiro, estado natal do atleta. Soma ainda uma meteórica passagem pelo Serra Talhada, em 2015. “Foi nesse período que vim para o Serra Talhada jogar a Série D. Sai de casa e ela (a mãe) estava bem. Entrou andando no hospital. Só que você sente quando está acontecendo algo errado. Voltei. Ela falou que estava esperando eu chegar e que não queria mais viver e queria ir ficar com meu pai (já falecido). Eu não quis entender na época. Mas tenho certeza que ela está orgulhosa de mim e estou feliz”, pontuou Geovani.


Fonte: Diario de Pernambuco, 24/4/2018

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