quarta-feira, 30 de maio de 2018

A necessidade de sobrevivermos


A NECESSIDADE DE SOBREVIVERMOS

Clóvis Campêlo

Amigos corais, no que tange à Copa do Nordeste, não adianta mais chorar sobre o leite derramado. A vaca já foi para o brejo.
Resta-nos, porém, a Série C do Campeonato Brasileiro. É nela que teremos condições de recuperar todo o tempo perdido este ano. E embora não estejamos no G4 no momento, temos plenas condições de recuperação, haja visto que as outras equipes também estão niveladas por baixo. Não acredito nem mesmo no Atlético do Acre, a sensação do torneio até o momento. Aliás, é triste o nível atual do futebol nordestino.
Para mim, o que mais assusta é o nível amadorístico dos nossos dirigentes. Faz tempo que insistimos numa maneira desatualizada e ineficiente de administração. Se em todo o mundo capitalista o futebol dá certo, por que entre nós ele é deficitário, e desorganizado e deficitário? É preciso descobrirmos o X do problema.
Assusta-me, também, as notícias correntes de que já estamos com os salários do mês de abril em aberto. Um time ruim como o nosso com salários atrasados, pode ter consequências desastrosas. Ao menos isso, Tininho vinha cumprindo até o momento.
Sabemos que o nosso rombo é imenso. O ex-presidente Alírio, por exemplo, já afirmou que o clube lhe deve 8 milhões de reais. O próprio presidente atual também diz que tem 4 milhões de reais “emprestados” ao Santa Cruz. E eu pergunto, teremos condições de saldar esses débitos? De onde vamos tirar esse dinheiro? E as rendas antecipadas até onde vão nos fazer falta?
Urge que o nosso clube profissionalize a sua gestão. Chega de improvisos e de atitudes malucas. Queremos ter os pés no chão, mesmo que isso nos custe alguns títulos e prestígio.
O que nos consola é que mesmo nesta situação de precariedade, já somos os campeões da década. Somos o clube que mais títulos ganhou em Pernambuco no período de 2010 a 2019, mesmo com este último ainda para acontecer. Essa condição nenhum outro clube do Estado nos tirará, mesmo que passemos 2019 em branco.
Somos um clube de história e tradição. Temos um patrimônio considerável e uma torcida fiel e numerosa. O que nos falta é organização e competência para caminharmos com firmeza e determinação rumo ao futuro.
Temos um grande estádio, que embora precise de uma melhor manutenção (alguns chegam mesmo a considerá-lo hoje como um “elefante branco”), supera os estádios de va´rios outros grandes clubes brasileiros. Foi aqui no Arruda, depois da sua inauguração, que conquistamos a maior parte dos nossos títulos. Aqui é a nossa casa e disso devemos tirar proveito.
O treinador Roberto Fernandes tem razão ao projetar o Santinha “imbatível” dentro de casa. Motivador do elenco como ele sabe ser, vamos esperar que essa previsão se consolide e que conquistemos na Série C o necessário direito ao acesso. Apesar de tudo, pela nossa própria grandeza, temos essa condição.
No entanto, mais do que nunca, é preciso mudar a visão administrativa dos nossos dirigentes em nome da nossa sobrevivência.


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